   |
 |
Bob Bahlis |
| |
27/01/2010 |
| |
Uriel Gonçalves - uriel@queb.com.br |
| |
O que te levou a fazer teatro?
A magia do teatro sempre me encantou. Lembro que estava no colégio e foi um grupo de teatro se apresentar lá. Eram os anos 70 e eu tinha quase 10 anos. Desde então fiquei com isso na cabeça. Mas foi nos anos 80 que comecei a fazer cursos de teatro. A possibilidade de fazer personagens diferentes era algo mágico pra mim.
Neste ano tu estás estreiando o trabalho Stand Up Drama, onde tu és o diretor. As pessoas estão começando a se interessar pelo Stand Up Comedy e tu estás realizando o "antônimo", pode-se dizer assim, de um espetáculo que está ficando comum ao público e é inédito. A que se deve a realização do Stand Up Drama?
Atualmente, criou-se uma fórmula de “fazer teatro” usando a estrutura do stand up comedy, que consiste em colocar um ator em frente a um microfone, e este ator ou comediante conta histórias engraçadas para o público rir. Justamente pra dar uma contra partida nisso tudo, brincar com a possibilidade de fazer algo diferente do comum, adaptei tristes histórias, em que atores contarão para o público, no mesmo formato. Apesar do Stand Up Comedy ter virado moda, não tenho nada contra a esse gênero. Bem pelo contrário. Lembro que no início dos anos 90 eu fazia o personagem Bob, apresentador do programa de auditório Bob Pop Show. Ali eu ficava mais de três horas comandando muitas atrações e falando coisas muito engraças para a platéia. As pessoas se divertiam muito com as bobagens que eu improvisava. Não deixava de ter os elementos do Stand Up Comedy.

Podes explicar um pouco como vai funcionar este espetáculo?
O Stand Up Drama é para o público adulto. Um ator de cada vez entra em cena e conta a história da sua personagem para o público. Cada história tem em média cinco minutos. São quatro atores no total e cada um deles, faz duas rodadas, contando duas histórias. O espetáculo terá uma hora no máximo, já que a idéia é despertar através das histórias tristes, uma nova possibilidade de ver o mundo. O silêncio também é uma peça fundamental para que os relatos, ou pequenos monólogos toquem a alma do expectador. Os atores usarão roupas pretas. Teremos um microfone em cena. A simplicidade é a chave deste trabalho e o que interessa é a palavra. A valorização total do texto. Nenhum outro elemento, como figurinos e cenários irão “desfocar” a atenção do público.
O elenco é de primeira. Só ótimos atores, como Clóvis Massa, Léo Ferlauto, Margarida Leoni Peixoto e Patsy Cecato.
Ainda em 2010, tu estás preparando a montagem da peça "O dia mais quente do ano", que tu escreveste. Como funciona o processo de criação de uma peça completa, desde o roteiro até a apresentação?
As vezes acontece de eu estar planejando fazer um espetáculo e surge outra idéia, que toma a vez na fila. Cada trabalho nasce de uma maneira, mas é mais ou menos assim: primeiro surge a idéia. "Exemplo: Vou fazer uma peça sobre duas mulheres que se amam". Depois começo a escrever a história, o que pode levar de 1 mês há 3 anos. Escolher a equipe artística e técnica pra contar a história, é muito importante. Os ensaios. Pode-se levar de 3 meses há 1 ano. Depende muito do trabalho. Produção de figurinos, trilha sonora, cenário, divulgação. Depois tem a batalha pra se conseguir as temporadas, para mostrar o espetáculo para o grande público. Nesse processo todo, o mais complicado ainda é finalizar o texto. Como sou muito crítico, o texto pode ir se modificando até o final do processo.
O público gaúcho não é muito acostumado a ir em teatros, mesmo com o apoio cultural do Porto Verão Alegre ou do Porto Alegre em Cena. Por que tu achas que esta não é uma rotina comum para o gaúcho?
Escolhi esta cidade para morar. Nesses anos de muito trabalho, formei uma platéia que gosta das minhas peças e fica curiosa a cada novo espetáculo. E não estou falando só de Porto Alegre, mas de outras cidades aqui do estado. Adoro Porto Alegre e o Rio Grande do Sul, mas temos que lutar contra a grossura do gaúcho. Essa cultura regional pode ser até bacana, mas é cheia de conceitos e preconceitos. Tem também a questão comportamental das pessoas gastarem o dinheiro apenas em cervejadas, às vezes 50 reais numa noite. Mas dificilmente gastarão 20 ou 30 reais no mês, pra ver uma peça daqui. Cada um faz o que quiser com o seu dinheiro. Mas aqui em Porto Alegre tem um mercado profissional com idéias criativas de dar inveja em todo o país. As pessoas poderiam beber 30 reais a menos no mês e ver uma peça local. Imagina? Isso faria lotar as peças daqui. Outro problema na produção cultural local, também está na falta de dinheiro para as montagens. As idéias são boas, os artistas são ótimos, mas os cenários e figurinos acabam não chamando a atenção, pela falta de dinheiro. O acabamento final do produto poderia ser melhor. Minhas peças também são afetadas por isso. Mas mesmo assim, a minha vontade de trabalhar e contar minhas histórias é muito maior que qualquer problema e com muita batalha e esforço, obtenho bons resultados no final das contas. Também tem a questão da baixa qualidade de algumas peças infantis. Dia desses a minha filha de 8 anos foi ver uma peça com a escola e depois quando chegou em casa pediu pra nunca mais ir ver teatro naquele lugar. As crianças não são burras e ficam traumatizadas. Crescem e nunca mais querem ir ao teatro. É um pouco de tudo, que vai formando uma grande bola de neve. Precisava ter uma campanha regional muito bacana, incentivando as pessoas a irem ver o teatro feito aqui no estado. O teatro é um ótimo programa de lazer e deixa as pessoas mais inteligentes. É um exercício pros neurônios. Nós artistas trabalhamos com o que gostamos, mas também queremos ganhar dinheiro como todo mundo. Ficarei ainda mais feliz, quando conseguir comprar um apartamento, com a bilheteria de uma peça de teatro.

No ano passado a peça O Filhote de Cruz Credo fez bastante sucesso entre crianças e adultos, além de ter sido uma maneira de apresentar o bullying de uma forma diferente para a sociedade. Como tu te sentiu ao ver uma aceitação tão grande a esta peça?
Acredito que o Filhote de cruz credo terá vida longa. É uma peça que emociona e todo mundo se identifica com a história. O bullying na maioria das vezes é uma prática quase invisível aos olhos dos adultos, pois quando praticado pelas crianças é às escondidas. Esta peça teatral imita a vida e nos faz ver e conhecer um pouco mais sobre o bullying, cada vez mais praticado na nossa cultura. A peça pode ajudar no desenvolvimento e formação do cidadão, despertando o desejo pelo conhecimento. Fico muito feliz em ver a reação do público durante e depois do espetáculo. Fazer a peça foi um presente que ganhei do Fabrício Carpinejar. Assim como o Dez(quase)Amores, foi um presente da Claudia Tajes e o Pedro Malazarte, do Jorge Furtado.
O Zé Adão Barbosa, fundador e professor do TEPA, afirma que a "mídia trata o teatro com bastante indiferença, ao contrário da música e do cinema". O que tu achas desta afirmação?
Perfeita. O Zé Adão é maravilhoso. Fiz a direção de um Açorianos de Literatura em que ele era o apresentador. Se tu fizeres uma coluna de cinema, ou música, num jornal, site ou TV, certamente conseguirá um patrocinador pra assinar a coluna. Se fizeres uma coluna de teatro, dificilmente uma empresa irá entrar como patrocinadora. Mas também não posso deixar de citar a Rbs que apóia o teatro, veiculando comerciais das peças na sua programação. Eles tem uma política cultural na empresa. A TVE tem o direito e dever de apoiar a cultura local, afinal é do estado, pública e cultural. Mas o que me deixa mais maluco ainda, é essa paixão alucinada pelo futebol. Páginas e mais páginas de jornais, dedicados a isso. Programas de rádio, tv e tudo mais que houver nessa vida. O futebol queima o neurônio do brasileiro e é muitas vezes encarado como uma solução, para desviar a atenção da miséria em que o povo brasileiro se encontra. E quem tira proveito disso? A mídia e os governos.

Tu já trabalhaste como produtor e diretor de TV, quais as diferenças entre a atuação do teatro e do espetáculo televisivo?
As diferenças são muitas. Na tv tudo é mais contido e não se tem a reação do público de imediato. No teatro, o público responde na hora se gostou ou não do que viu. Pra quem escreve não tem muita diferença. Pra quem dirige tem. Deve-se ficar atento para não se cometer exageros. Adoro fazer tv e rádio, apesar de ser um trabalho industrial. O alcance dessas mídias é enorme. No teatro o trabalho é mais familiar, entende? Gostaria muito de retornar a trabalhar em tv ou rádio, desde que continue fazendo teatro. Este ano, quero tentar fazer meu primeiro filme como diretor e autor.

Todos os artistas tem uma preferência por algum trabalho específico que marcou a carreira. Qual foi o teu?
Nasci no final de 69. Cresci vendo o sítio do pica pau amarelo. A tv foi minha babá. Lembro de ter visto no teatro, as primeiras apresentações das peças “A verdadeira história de Édipo Rei”, do grupo Gregos & Troianos, “Tangos e Tragédias”, “Bailei na Curva”. Já dos meus trabalhos como ator o Bob Pop Show foi o mais marcante e carrego até hoje o nome desse personagem. Como diretor de teatro, cada trabalho que fiz teve sua importância. Na tv, acredito que o programa mais legal que dirigi foi o Folharada, na Band, comandado pela Kátia Suman. Criei muitos quadros bacanas quando apresentei o Radar, na TVE, mas acredito que o Carona, foi o mais marcante.
|
| |
|
| |
|
|
  |
|
|
|
   |
 |
|
Ele é diretor de teatro, já trabalhou como radialista, produtor e diretor de TV, ele é Bob Bahlis. Bob tem em seu currículo como diretor a peça infantil de forte apelo contra o bullying "Filhote de Cruz Credo", adaptada do livro de Fabrício Carpinejar. Também é diretor do espetáculo Dez (quase) Amores e Homens, além de muitos outros. Este ano, estreia, durante o Porto Verão Alegre, o Stand Up Drama, uma nova forma do Stand Up Drama. O premiado diretor de peças teatrais conversou com o QUEB e contou um pouco deste novo espetáculo que ele está organizando, além de comentar sobre os outros sucessos de público. |
|
  |
|
   |
 |
| Acústicos & Valvulados |
| A banda conversou com o QUEB sobre o novo álbum, Grande Presença. |
 |
|
 |
| Isabela Fogaça |
| Porto Alegre é demais! Confira o bate papo do QUEB com Isabela Fogaça |
 |
|
 |
| DJ China |
| O DJ fala da carreira e do mercado eletrônico no Brasil |
 |
|
 |
| Pata de Elefante |
| Gustavo Telles, baterista da Pata, fala sobre o novo álbum, VMB e mais |
 |
|
 |
| Trio Life is a Loop |
| O trio conversa com o QUEB sobre a carreira e sucessos. |
 |
|
 |
| Gloria Pires |
| Confira a conversa com uma das atrizes mais queridas do Brasil |
 |
|
 |
| Claus e Vanessa |
| A dupla gaúcha conversou com o QUEB sobre seu novo álbum, "Dois!". |
 |
|
 |
| Banda Belle |
| O QUEB falou com Pablo Nechi, integrante e um dos fundadores da banda. |
 |
|
 |
| Teco Barbero |
| Ele é fotógrafo e cego! Como é possível? Confira na entrevista do QUEB |
 |
|
 |
| Marcelo Carneiro da Cunha |
| O autor de "Antes que o Mundo Acabe" conversou com o QUEB |
 |
|
 |
| Prólogo selo editorial - Fernanda Carvalho |
| Revelar novos talentos do mundo virtual contemporâneo é o objetivo... |
 |
|
 |
| Juliana Carvalho |
| Ela conversou com o QUEB sobre os desafios de um cadeirante. |
 |
|
 |
| Paulo Ricardo |
| O músico conversou com o QUEB sobre carreira e seus sucessos. |
 |
|
 |
| Mixhell |
| O ex-Sepultura conta um pouco sua investida na música eletrônica |
 |
|
 |
| Doyoulike? |
| O QUEB conversou com a nova febre musical dos adolescentes |
 |
|
 |
| Rita Lee |
| A Rainha do Rock Nacional mostrou ao QUEB um pouco de "roque enrow" |
 |
|
 |
| Bruno Motta |
| A revelação do stand up comedy conversou com o QUEB. |
 |
|
 |
| Albertto Antonio |
| Confira a entrevista com o estilista da PK Polo. |
 |
|
 |
| Fabrício Carpinejar |
| O autor contou um pouco de sua obra e vida, em um bate-papo com o QUEB |
 |
|
 |
| Washington Olivetto |
| Um dos ícones da publicidade mundial conversou com QUEB |
 |
|
|
  |
|
|