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Carol Bensimon |
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15/07/2009 |
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Por Edimar Blazina - edimar@queb.com.br |
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Como a literatura entrou na sua vida?
Meus pais sempre me compraram muitos livros, desde que eu era bem pequena. Livros infantis sobre lendas gregas, livros sobre o cotidiano na Idade Média, sobre como funcionavam aviões e transatlânticos. Depois comecei a ler um monte de policiais, os livros da famosa Coleção Vaga-Lume, Orwell e J. D. Salinger. De modo que, quando fui obrigada a ler Senhora, de José de Alencar, e outras dessas coisas chatas que o colégio nos obriga a ler em função do vestibular, eu já sabia que ler livros podia ser algo totalmente prazeroso (o contrário do que faziam parecer durante o Ensino Médio).
Em entrevista você revelou que gostaria que “Pó de Parede” fosse seu primeiro livro, por que essa predileção?
Na verdade foi por um motivo bem simples: eu escrevi o Pó de parede antes do romance que lançarei agora em agosto, Sinuca embaixo d'água, e não gostaria que a ordem das publicações se invertesse (se eu não tivesse corrido para lançar o Pó, isso poderia ter acontecido). Sim, é isso, simplesmente aconteceu de eu achar que eu precisava contar primeiro as três histórias que estão no Pó de parede, para daí passar para uma narrativa de mais fôlego, em que há um planejamento muito maior por trás. Será uma espécie de segunda estreia para mim.
Em um país onde ainda é grande o número de analfabetos e as pessoas leem relativamente pouco, preocupa viver de literatura?
Já preocupou mais, mas agora estou um tanto tranquila com isso. Até porque não é fácil viver de literatura em nenhum lugar. Quero dizer, é óbvio que os índices brasileiros de leitura são vergonhosos, mas em nenhum país é possível dizer que a literatura é algo para as massas. Mesmo historicamente falando, a literatura sempre foi uma arte para uma minoria. Por mais triste que isso pareça.
Quando você descobriu que seus livros faziam sucesso?
Sinto-me lisonjeada com a pergunta (Risos). Mas é cedo para dizer. Eu só lancei um livro. Que foi super bem recebido, é verdade. Mas, ok, relativizando esse "sucesso", posso dizer que descobri que fazia "sucesso" pela repercussão do Pó de Parede na mídia, que foi bem acima das expectativas e, incrível, todas as resenhas falaram muito bem do livro. É difícil alcançar esse tipo de unanimidade, e acho, aliás, que ela dificilmente irá se repetir (não porque vou escrever livros piores, é claro que não, mas as exigências começam a aumentar). O público também recebeu muito bem o livro. Gente me escrevendo, comentando em seus blogs... e gente das mais variadas idades, com os mais variados perfis.
Muito se fala sobre os textos de internet que eles empobrecem o conhecimento, que emburrecem ao diminuírem as palavras, contudo os seus textos são firmes, maduros apesar de você ser muito jovem e estar na internet. Pode-se dizer que a internet facilitou a sua entrada no mundo literário?
A internet é um canal de divulgação, um meio de escritores e leitores se encontrarem. Mas ela nunca teve algum tipo de influência em minha literatura. Acho que é preciso saber separar as coisas: uma coisa é fazer um texto para um blog, outra coisa é fazer um texto para um jornal ou revista, e ainda outra é escrever um livro.
Qual foi a sensação ao ler a primeira crítica de seu livro?
Ah, foi ótima. A primeira foi da Zero Hora, uma página inteira, eu comendo algodão doce, e Zero Hora é aquela coisa: de repente o vizinho está te cumprimentado, a tia distante liga, os antigos amigos do colégio aparecem no lançamento. E, em relação à resenha propriamente dita, bem, é sempre interessante ver como os outros estão interpretando sua obra.
Sua ida para a França tem despertado ideias para novos livros?
Tem, sim. Meu terceiro livro provavelmente vai se passar em Paris. Mas a ideia ainda é um tanto vaga, e não tenho conseguido parar para pensar muito nela.
Que autores a influenciaram mais?
Eu prefiro falar em obras, em vez de falar de autores. Vou citar algumas: Lolita (Vladimir Nabokov), Luz em agosto (William Faulkner), Uma casa no fim do mundo (Michael Cunningham), Nó na garganta (Patrick McCabe), e Se ninguém falar de coisas interessantes (Jon McGregor).
Assusta a responsabilidade de ser “a nova safra” de escritores gaúchos?
Ah, nem um pouco. Acho ótimo. E espero corresponder às expectativas nos próximos anos.
Que livro não é seu, mas você gostaria de ter escrito?
Não costumo ter essa sensação, fechar o livro e pensar "nossa, gostaria de ter escrito isso". Por outro lado, costumo pensar, depois de ver filmes que realmente me tocam, que eu gostaria de escrever um livro com aquela história, ou que despertasse tal e tal sensação.
Você disse que prefere começar um livro sempre segura de o que contar e como quer contar. Nesse processo de criação pode acontecer de aquele personagem que era interessante quando vivia na ideia, ao ser passado para o papel, perder o sentido?
Olha, até agora não aconteceu, até porque, por mais que eu pense nele antes de pô-lo no papel, é claro que é no papel que ele vai enriquecendo e se tornando mais interessante. O que já aconteceu é o contrário: alguém que era para ser secundário e que de repente percebo que pode render muito mais.
Com 20 e poucos anos você lançou seu primeiro livro, aos 40 e poucos espera estar fazendo...?
Eu me arrepio com planos assim. Não faço planos a longo prazo. O que não quer dizer que eu não planeje minha vida e minha carreira. Vou dando um passo por vez.
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Carol Bensimon, nossa entrevistada, deixa a inquietante pergunta em quem lê seu livro e seus textos: "Como pode uma menina que nasceu em 1982 escrever tão bem, ter um texto tão firme, tão maduro, tão profundo"? A questão acima, feita pela escritora paulista Ivana Arruda Leite, talvez seja respondida em apenas uma palavra: talento! Carol escreve desde muito cedo. Seus textos já estiveram em jornais, revistas, sites e blogs pela web e em seu comentado livro "Pó de Parede". Direto de Paris, Carol conversou com o QUEB de sua temporada na França, onde está fazendo doutorado, de seu novo livro "Sinuca embaixo d'água" e da responsabilidade de ser uma das novas promessas de escritores gaúchos. Acompanhe e aproveite para saber mais sobre quem, no futuro, provavelmente será seu livro de cabeceira. |
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