Moda festa, o terror dos fashionistas
  01/09/2010
 

 

Não é preciso fazer muita força pra encontrar looks bizarros em festas de formatura, casamentos, debuts e afins.

 

             

 

Já que a alta-costura agoniza e é um luxo para bem poucas, o negócio é vasculhar as lojas de prêt à porter e procurar o vestido ideal dentro do orçamento que se tem.

 

Parece tarefa fácil mas não é.

 

Recentemente fui atrás de um vestido de festa e resolvi primeiro dar uma espiada nos amigos estilistas antes de ir às lojas. Encontrei modelos bem legais mas caros.Paga-se pela qualidade e também pela exclusividade-relativa,em alguns casos,pois se tiverem 2 modelos iguais, já era...

 

Dos ateliês resolvi ir aos shoppings, tentei lojas de marca e também multi-marcas. Em algumas os vestidos eram bonitos mas os acabamentos terríveis, em outras a breguice e os excessos eram tantos que fiquei matutando que mulher em sã consciência teria coragem de vestir aquilo.

 

Quando, finalmente,encontrei o que queria e o preço estava condizente,decepção: não tinha o meu número!

 

Meu entra e sai de lojas durou apenas uma semana, depois me revoltei e resolvi dar nova chance aos meus antigos modelitos. Armada de coragem e com um modelador pra dar um "up" na carcaça, coloquei o armário abaixo e comecei a experimentar meus velhos conhecidos..Para minha surpresa,eu tinha uns 3 vestidos em excelente estado e ainda atuais,bastando complementar com um par de sapatos incríveis e uma bela carteira.

 

Em compensação, tive de me livrar de uns 10 que não tinham mais jeito, nem com a melhor costureira do mundo pra reformar. Eram vestidos bonitos no seu tempo e quando eu tinha outro corpo e outra visão das festas em geral, ou vocês pensam que nosso corpo, gostos e pensamentos sobre a moda não mudam com a idade? Ah, e as próprias festas mudam, o conceito de festa de um tempo é diferente de outro.

 

Eu adorava preto, só tinha vestidos pretos, de todos os comprimentos, alguns lisos, outros bordados, em tecidos variados, alguns decotados e outros bem discretos. Mas todos pretos.

Hoje é uma cor que evito, só uso em último caso, e nem sei explicar o porquê, afinal, preto é básico, é curinga e é fácil, muito fácil. Abaixo, três modelitos de sonho de Elie Saab.

 

             

 

Emmy Awards 2010

 

Realizada no último domingo, 29 de agosto, em Los Angeles, a 62ª edição do Emmy sagrou as séries "Mad Men" e "Modern Family" campeãs nas categorias drama e comédia, respectivamente. Além da disputa acirrada em prêmios pelos melhores atores, seriados, entre tantas categorias, o figurino das participantes também chamou atenção. A maioria optou por vestidos clássicos e muito chiques.

 

Luxo define bem o vestido de Claire Danes: todo coberto de pedrarias, a peça tem corte reto e cauda. Ah, e por falar em cauda,é tão bom ler a palavra escrita corretamente quando refere-se à parte de trás do vestido,mais longa que a frente.Assim como muitos desinformados escrevem "o rabo do vestido" como se o mesmo se tratasse de um animal,outros,assassinos do bom português, conseguem escrever "calda", relacionando-o a um doce ou compota. Pelo amor de Deus,vamos preservar nosso idioma,já tão arranhado nesses tempos de cyber escrita.

 

             

 

Brega, cafona ou kitsch?

 

Frequentemente usamos esses adjetivos no mundo da moda, e, não raro, todos significam praticamente o mesmo: você não está bem-vestida!"

 

                       

 

O brega como conhecemos pode ser relacionado com a palavra Kitsch. O termo é de origem alemã (verkitschen) e serve para designar objetos, roupas e gostos esteticamente duvidosos ou exagerados. O termo é associado também à cópia, ao uso de estereótipos e chavões que não são autênticos. Comumente, no Brasil, objetos considerados kitsch são também associados ao gosto "brega" ou "cafona" exagerado e, portanto, considerado de mau gosto. Mas há quem aproveite e ganhe dinheiro com a cafonice.O cantor Falcão é um belo exemplo, se bem que a cafonice dele é muito fake...

 

                      

 

Mais moda festa

 

H&M está preparando uma coleção-cápsula especial com roupas de festa. Chamada By Night, a linha conta com cerca de 20 peças, que vêm em formatos justos e curtos, para valorizar as formas do corpo. Nesta semana, a marca divulga as primeiras imagens.

Renda, cetim e crepe estão entre os materiais utilizados. A cartela de cores é variada, mas há destaque para os tons rosados claros (quase nude) e preto. Estampa selvagem, drapeados e aplicações de metais compõem alguns dos detalhes. 


Chamam atenção também as peças que misturam franjas e ilhoses, em uma combinação de boho com glam rock. A coleção deverá chegar às lojas no final de setembro.

 

             

 

Vc sabe o que é Cool Hunting?

 

Falar de Cool Hunting virou moda: nós imediatamente ligamos a uma atividade desenvolvida por uma pessoa que viaja o mundo todo, ao emprego dos sonhos, aos Jet Setters. No entanto, não é exatamente dessa maneira que funciona o trabalho sério de um Cool Hunter. Trata-se, na verdade, de uma atividade a qual faz parte de um complexo projeto de pesquisa multidisciplinar combinando semiologia, antropologia, etnografia e pesquisa de observação.

 

O Cool Hunter que trabalha para o Future Concept Lab, por exemplo, é uma pessoa que mora no local de observação, trabalha no mesmo lugar, é estável, ou seja, alguém que consegue captar o "Genius Loci" da cidade em que vive."Genius Loci"  é uma expressão que deriva do latim  e representa o "espírito" que existe em cada lugar, ou seja, a dinâmica da cidade, sua energia, o comportamento das pessoas, o dia-a-dia, etc.

 

Por exemplo, se você vai a Milão em agosto para analisar o que os milaneses usam nas ruas durante o verão, pode ter uma visão bem distorcida, já que em agosto praticamente todos os italianos estão fora do país, principalmente os da cidade de Milão, pois é o período de suas férias "sagradas". Assim, você encontrará alguns turistas ou imigrantes, mas não os milaneses. Aí se mostra a importância de se conhecer muito bem o local de estudo e de ter uma idéia prévia de como é a dinâmica da cidade, ou seja, conhecer o seu "Genius Loci".

 

Para entender e interpretar o comportamento das pessoas é necessário partir da observação e análise da vida real dos indivíduos, de forma a captar o modo pelo qual eles se diferenciam da massa homogênea, captar a relação entre sua personalidade, seu corpo e sua energia pessoal. Nessa perspectiva, os sinais das ruas e o Cool Hunting adquirem um papel estratégico, a fotografia compõe como uma ferramenta eficaz de observação. Intuição é muito importante para este trabalho, as fotos devem ser espontâneas, ou seja, mais reais e naturais possíveis. O Cool Hunter deve estar perto da realidade e participar da energia do dia-a-dia constantemente e com uma visão de 360 graus.

 

             

 

Bem, pessoal, por hoje era isso. Um beijo e até a próxima!

 

Saiba mais sobre a colunista:
Madeleine Müller é formada em Direito e pós-graduada em Moda, Consumo e Comunicação pela PUC-RS. Ex-modelo, atualmente é produtora de desfiles, palestrante de moda em cursos e workshops, e também professora de Postura e Andamento com ênfase em passarela.

   
 
   
  "O QUEB não se responsabiliza pelas opiniões emitidas e imagens divulgadas pelos seus Colunistas".
 
   


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